Concha de Vento
A noite - enorme, tudo dorme, menos teu nome.
Há quem diga que todas as noites são de sonhos. Más há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isso não tem importância. O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.
William Shakespeare.  (via nobroke)
O amor é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar.
Carlos Drummond de Andrade (via oxigenio-dapalavra)
Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.
Mãos Dadas, Carlos Drummond de Andrade   (via floresinexatas)
Não sabia se estava dentro ou fora de meu alcance entender o que me acontecia, se eu podia decifrar o que as coisas significavam de verdade e o que fora apenas um erro de interpretação iniciado lá atrás, no momento em que a gente começa a ver e a pensar sozinha, no momento em que a gente entende que tem uma consciência e que é ela que vai dar - ou tirar - todo o sentido ao mundo. Ultimamente minha consciência andava trocando de opinião a todo instante. Parecia uma árvore que a luz do sol faz brilhar, num movimento leve de brisa, e a gente entende naquele reflexo prateado um sinal positivo, uma explicação, que logo desaparece, e volta a ver folhas comuns, verde-escuras, no copado.
A vendedora de fósforos.  (via palavrisses)
É uma saudade pós-saudade. Uma saudade sem o peso de uma saudade. Uma saudade sem a tortura de uma obsessão. Uma saudade de detalhes que só vem em sonhos que não me acordam antes das cinco. Uma saudade que não podia sentir quando estava cheio de saudade. Uma saudade que remete ao último gole do meu bourbon em copo de extrato de tomate. Uma saudade de quem aprendeu a conviver com o pôr do sol.
Gabito Nunes  (via palavrisses)
Escrevo neste instante com algum prévio pudor por vos estar invadindo com tal narrativa tão exterior e explícita. De onde no entanto até sangue arfante de tão vivo de vida poderá quem sabe escorrer e logo se coagular em cubos de geléia trêmula. Será essa história um dia o meu coágulo? Que sei eu. Se há veracidade nela – e é claro que a história é verdadeira embora inventada – , que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.
Clarice Lispector, A hora da estrela (via racionador)
Feche os olhos por um instante - e nesse instante se atire. Resgate uma memória bonita no fundo dessa fossa, e sorria outra vez por ter sido abençoado com um momento que não irá voltar, porque se valeu a pena viver, também vale a pena lembrar.
Sean Wilhelm (via palavrisses)
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado.
Chico Buarque (via oxigenio-dapalavra)
Sou um homem porque erro. Nunca uma simples verdade será alcançada sem serem cometidos quatorze enganos e muito provavelmente cento e quatorze. E o erro nos conduz a muitas coisas boas, mas devemos errar sob a nossa própria responsabilidade. Digam tolices, mas digam-nas as suas próprias, e eu os beijarei por isto! Errar em nosso caminho é melhor que acertar em caminho alheio.
Dostoiévski | Crime e Castigo. (via oxigenio-dapalavra)
Você vai me ver com outros olhos, ou com os olhos dos outros?
Paulo Leminski.   (via oxigenio-dapalavra)
Eu sempre dei muito valor a ele. Porque ele era sincero, diferente. Sempre passei por cima de muitas coisas porque, apesar dos vacilos, ele era especial. Até o dia em que eu entendi que eu também era incrível e que se alguém teria que ter medo de perder entre nós, definitivamente não era eu. Foi aí que eu parei de engolir desculpas nunca acompanhadas de arrependimento. Foi aí que eu abri a porta e deixei ele ir. Quer liberdade? Boa sorte. Quando voltar e outro cara te atender, não sei, fica feliz por mim e tenta ser livre!
Marcella Fernanda (via coracaosertanejo)